Como funciona o Marketing Jurídico: possibilidades e limitações

Atualizado: Jul 2



O marketing jurídico vem se apresentando como um novo desafio aos advogados e escritórios.


Atualmente, muitos profissionais buscam melhorar a visibilidade de seu negócio, o que é possível através do marketing de conteúdo.


Quando se trata do marketing voltado aos profissionais do direito, são necessárias algumas informações sobre o Código de Ética da OAB, as quais serão abordadas neste artigo.


Definição e utilização do marketing no meio jurídico:


O consumo de conteúdo pela internet aumenta a cada ano, principalmente, pela maior acessibilidade que o contexto atual possibilita.


Muitos escritórios de advocacia já se adaptaram a este cenário, ao adotarem Marketing de Conteúdo, instrumento que consiste em uma estratégia inteligente para atrair potenciais clientes e fidelizar os atuais.


A partir disso, torna-se possível estabelecer maior interação com o público-alvo, gerar leads (potenciais clientes) e ser visto no mercado como autoridade do assunto.


O Marketing de Conteúdo é o instrumento ideal para escritórios de advocacia.


Além de exigir pouco investimento e alcançar o público que possui interesse no assunto específico, sua funcionalidade também é favorável, pois consiste em prospectar clientes pela internet com discrição, moderação e sobriedade, mediante compartilhamento de conteúdo informativo, características que correspondem com o que é permitido pelo Código de Ética e Disciplina da OAB (CED).


Por se tratar de um conteúdo específico, o qual exige muita atenção e dedicação para o alcance do resultado desejado, cabe considerar a possibilidade de escritórios de advocacia terceirizarem esse serviço, pois pode ser difícil conciliar o tempo entre as demandas da profissão e a produção de conteúdo com o atendimento ao público.


Desse modo, é fundamental que o Marketing de Conteúdo seja realizado por pessoas qualificadas, para que a forma e os meios de compartilhamento sejam adequados ao contexto jurídico, mediante um bom planejamento para uma execução eficaz.


Nesse contexto, é de suma importância estabelecer a finalidade a qual deseja alcançar,  utilizando o compartilhamento de conteúdo jurídico. 


Por isso, o planejamento exige a ênfase na metodologia adotada: marketing de atração (inbound), método que indica quatro objetivos: atrair visitantes, convertê-los em leads - contatos que demonstraram interesse em determinado produto ou serviço -, torná-los clientes e estabelecer um relacionamento duradouro.


O tipo do conteúdo deve ser traçado conforme o perfil do destinatário, que pode ser descrito por meio de dados que identificam os traços comuns dos clientes, possibilitando a formação da figura do cliente ideal: a persona.


A partir disso, é possível planejar o tipo e a forma como o conteúdo será compartilhado, conforme o interesse da persona.


Quanto ao conteúdo jurídico, este precisa ser atrativo, por isso é indispensável uma abordagem bem apresentada e com linguagem acessível, cujo material trate sobre temas que satisfaçam os questionamentos jurídicos da persona.


Sobretudo, para que o conteúdo compartilhado seja encontrado por ela, é fundamental utilizar palavras-chaves relevantes que viabilizem o destaque de tal material nos mecanismos de busca.


Neste sentido, tal conteúdo pode ser compartilhado por texto ou imagem, sendo fundamental enfatizar elementos que possibilitam a atração e a fixação do leitor ao texto: a boa apresentação que corresponda a uma leitura corrida; a quantidade razoável de palavras e a excelência da qualidade do material.


Em relação ao conteúdo visual, podem ser utilizados vídeos, infográficos e/ou imagens educativas, maneiras que potencializam a adesão, uma vez que possuem maior índice de atração e possibilitam destaque nos sites de busca.


Assim, convém definir como ocorrerá o compartilhamento de tal material.


As redes sociais (Facebook, Instagram, Linkedin, Twitter etc.) são ótimos canais para atrair visitantes ao site ou blog.


Nelas é possível disponibilizar um campo para cadastrar o e-mail e receber material especializado e exclusivo como, por exemplo, e-books e newsletters - boletins informativos com principais conteúdos produzidos -.


Por fim, é necessário que seja definido certa periodicidade no compartilhamento, uma vez que quanto mais se compartilha, maior é a possibilidade de obter resultados.  


Limites e o Código de Ética da OAB:


A primeira restrição referente a propaganda foi prevista no art. 12 do Código de Ética Profissional de 15 de agosto de 1921, onde havia menção à propaganda indireta e a anúncios.


O marketing jurídico apresenta limitações que se encontram no Código de Ética da OAB.


Tais vedações são para evitar a mercantilização do exercício da advocacia, ou seja, não transformar um serviço em mera mercadoria que pode ser feita e vendida por qualquer pessoa, já que o advogado não vende produto, mas presta serviço especializado.


Os arts. 40, 41 e 42 são autoexplicativos no tocante às vedações.


As vedações não são o fim para o marketing jurídico, mas apenas uma direção.


Como regra geral, deve-se limitar a informações pessoais e curriculares do advogado ou da empresa, mostrando títulos acadêmicos e qualificações profissionais e idiomas com domínio, as publicações científicas ou informativos, bem como a participação em instituições jurídicas (art. 44, §1º). 


Existem dois pilares da permissão da publicidade: discrição e sobriedade.


A publicidade se diferencia da propaganda por ser mais discreta e sem alardes, diminuindo seu público e sendo direta, pressupondo um interesse anterior sobre o assunto.


E, cabe ressaltar que o código proíbe a mercantilização, mas não a promoção e distribuição de ideias, tendo o advogado ainda um grande campo de exploração no tocante a blogs e e-books.


O advogado pode explorar ao máximo as oportunidades que o marketing tem a oferecer e suas ferramentas.


O atual cenário é de muita inovação em todas as áreas e, com isso, é necessário perder o medo de explorar, desde que sejam respeitados os princípios básicos que o código veio proteger: a não mercantilização e o não influenciamento ao litígio.


As ferramentas e estratégias apresentadas ao longo do texto, se bem administradas, são uma grande chance para o sucesso do marketing e do que se pretende com ele.


Um bom conteúdo sempre tem potencial de criar engajamento, seja pelo blog ou e-mail, dando a possibilidade de criar relacionamento, geralmente uma simples solução de dúvidas faz com que se tenha uma frequência nas participações.


Conclusão:


Por fim, é essencial ressaltar a importância das ferramentas apresentadas, as quais são essenciais a qualquer advogado ou escritório (principalmente aos novos no mercado) que tenha interesse em ter seus serviços divulgados.


Todo e qualquer negócio de sucesso tem o marketing por trás e no Direito não poderia ser diferente.


Autores:


Vitor Hugo Firmino de Figueirêdo Carvalho

Wanessa Larissa Silva de Araújo


Referências Bibliográficas:


BRAGA, Ricardo Peake. Novo Código de Ética é conservador sobre publicidade na advocacia. 2016. Artigo disponível em:

<https://www.conjur.com.br/2016-mai-29/ricardo-braga-codigo-etica-conservador-publicidade-advocacia#_ftn1> Acessado em: 30 de maio de 2019.


CARVALHO, Duerer. O que não fazer no Marketing de Conteúdo Jurídico segundo a OAB. 2019. Artigo disponível em: <https://duerercarvalho.jusbrasil.com.br/artigos/677065817/o-que-nao-fazer-no-marketing-de-conteudo-juridico-segundo-a-oab?ref=serp>. Acesso em: 28 de maio de 2019.


PEÇANHA, Vitor. Marketing de Conteúdo – Tudo que você precisa saber para se tornar um especialista no assunto. 2018. Artigo disponível em:

<https://rockcontent.com/blog/marketing-de-conteudo/>. Acesso em: 28 de maio de 2019


PROSPECTER. O que é lead e por que os advogados precisam saber. 2019. Artigo disponível em: < https://prospecter.com.br/o-que-e-lead/>.Acesso em: 28 de maio de 2019.


ROCKCONTENT. Adote o marketing de conteúdo para o seu escritório jurídico e conquiste novos clientes. 2016. Artigo disponível em: <https://rockcontent.com/blog/marketing-de-conteudo-para-escritorios-juridicos/>. Acesso em: 28 de maio de 2019


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