Empresa Júnior: o que é ? Quais as vantagens em contratar?



Para ingressar no mercado de trabalho deve-se reconhecer o seu caráter extremamente dinâmico e competitivo, além de ser necessário ao candidato manter-se em constante atualização.


Os jovens universitários, por exemplo, entendem melhor do que ninguém a necessidade de se adequar à crescente demanda adotando uma postura que seja inovadora e, ao mesmo tempo, profissional.


Logo, para corresponder a tantas expectativas, muitos defendem que o desenvolvimento acadêmico deve estar ligado ao prático, de modo que a aula teórica seja aplicada e exercitada no cotidiano.


Em primeira análise, é possível imaginar que este tema é uma clara alusão ao tripé “ensino, pesquisa e extensão”, tão difundido na educação brasileira.


Esse tripé corresponde a uma série de práticas adotadas por instituições de ensino superior referentes à construção do conhecimento, sua materialização e posterior difusão na sociedade [1].


Mas eis a questão, o que tem a ver uma instituição de ensino superior, muitas vezes um ambiente de didática teórica, com o mercado de trabalho e até o setor empresarial?


Pois bem, é nesse cenário que nos deparamos com a Empresa Júnior (EJ), isto é, uma entidade criada com o objetivo de fomentar o aprendizado prático dos estudantes e, ao mesmo tempo, impactar clientes.


Isso é alcançado a partir da criação de toda uma estrutura voltada para a oferta e realização de produtos e serviços de qualidade, direcionando o conteúdo acadêmico para o mercado de trabalho.



Organização interna de uma EJ


Visando o cumprimento das funções citadas e com o objetivo de se criar uma verdadeira experiência empresarial, a Empresa Júnior apresenta um ambiente com a capacidade de exercitar habilidades de fala e liderança.


Para que isso ocorra, é importante entender que os cargos de uma EJ tem uma alta rotatividade, no sentido de atrair jovens universitários de modo periódico.


Os benefícios disso são variados, na medida em que a efetivação constante de novos membros contribui tanto para a inovação dentro da EJ quanto para a ocupação de funções de alto peso.


Tal responsabilidade proporciona aos jovens universitários uma vivência muitas vezes ainda impossibilitada pela situação da “falta de experiência no currículo”.


Assim, tem-se um ambiente que atua e oferece oportunidades enquanto empresa, sem, no entanto, onerar os empresários e empresárias juniores com toda a carga burocrática e trabalhista presente no Brasil.



As EJ 's são regularizadas?


A criação dessenovo tipo de entidade, que exerce atividade econômica organizada, não passa despercebida aos olhos da legislação.


Esse fator é extremamente forte em um país como o Brasil, de alta carga tributária e com a pretensão de regular e normatizar as práticas comerciais.


Dessa maneira, para fins de regularização, a Empresa Júnior é uma associação civil sem fins lucrativos, formada por alunos de um curso superior orientados por professores e profissionais especialistas na área [2].


Embora não seja uma empresa propriamente dita, a EJ também arca com tributos referentes à sua atividade fim. No caso de impostos tem-se o ISSQN (Imposto sobre Serviço de Qualquer Natureza), que incide sobre a prestação de serviços.


Além disso, tem-se a incidência da COFINS (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) sobre associações civis, sendo destinada ao custeamento de esferas básicas da seguridade brasileira.


Logo, já é possível perceber o impacto do trabalho de empresários e empresárias juniores na sociedade brasileira, contribuindo para a saúde pública, previdência social e demais programas de assistência social.


Quanto ao mercado de trabalho, é importante que se entenda a Empresa Júnior não como uma demanda isolada desta ou daquela instituição, mas como fenômeno, ou movimento de jovens, a nível global.



Movimento Empresa Júnior (MEJ)


Idealizado por alunos parisienses em 1967, o MEJ é considerado a maior mobilização internacional de cunho estudantil-empresarial em atividade.


Como objetivo, o movimento busca difundir o conhecimento prático inerente às mais diversas áreas do conhecimento humano por meio de uma vivência empresarial personalizada e ambientada na faculdade.


Presente em todas as unidades da federação nacional, em 2018 o MEJ impactou o Brasil com 18.301 projetos e uma arrecadação total de R$ 29.395 milhões em nome da atuação de 805 EJ’ s confederadas [3].


Com a missão de formar empreendedores comprometidos e capazes de aprimorar a realidade brasileira, o alicerce do MEJ pode ser encontrado ainda em sala de aula.



Por que contratar uma EJ é investir na educação?


Fundada dentro de um ambiente universitário, a figura da Empresa Júnior representa o contato entre teoria, inovação e prática.


Uma vez que empresários juniores lidam diariamente com os fundamentos de seus respectivos cursos, o desenvolvimento de uma postura indagadora pelo MEJ incentiva aprimoramentos e descobertas.


Desse modo, com o apoio estrutural oferecido pela faculdade, projetos altamente personalizados são desenvolvidos junto ao aval de um especialista da área.


Outro fator crucial é que, com a compra de serviços e o investimento na capacitação dos jovens em uma EJ, um empreendimento que contrata tais serviços investe diretamente no seu futuro empregado.


Isso porque, essa empresa, além de aprimorar e promover a competitividade de mercado, ainda poderá encadear um aumento considerável nasua performance e custo agregado, tendo em vista as diversas capacitações e experiências obtidas e fornecidas à EJ, que só são possíveis via cobrança por serviços.



Professores Conselheiros


Por mais que o empresário júnior não seja um profissional formado, sua atuação costuma ser orientada por professores conselheiros, que possuem autoridade e experiência suficientes para agregar à EJ.


Sempre presentes dentro da dinâmica da empresa, a atuação de tais profissionais costuma direcionar os membros, capacitá-los e ainda contribuir na promoção de eventos institucionais.



Membros selecionados criteriosamente


Todo estudante pode viver o empreendedorismo na prática mediante ingresso em uma EJ, que ocorre por intermédio de processo seletivo elaborado e organizado pela própria EJ.


Composto por apresentações, dinâmicas e atividades, o objetivo desse procedimento é selecionar os futuros membros dotados de qualidades e aptidões convergentes com a rotina e a atividade exercida pela empresa.


Geralmente, o perfil de um empresário júnior pode ser definido pelas seguintes qualidades: ética, vulnerabilidade, liderança, proatividade, companheirismo, cooperação, responsabilidade e afins.


Quanto à dinâmica interna, apesar de cada EJ adotar seu próprio método, geralmente os membros efetivados pelo processo seletivo são subdivididos em diretorias que, apesar de complementares, exercem atividades distintas a fim de satisfazer todas as necessidades da EJ.


Importante elencar que a partir de um processo eleitoral, os membros que estão em determinadas diretorias poderão assumir diferentes cargos.



Crédito, receita e transparência


Apesar de cobrar pelos serviços prestados e, consequentemente, arrecadar verbas expressivas, os membros de toda e qualquer EJ não podem ser remunerados.


Isso acontece porque o trabalho exercido por empresários e empresárias juniores é de caráter voluntário, regido pela Lei n° 9.608/98.


Ainda assim, as quantias por eles arrecadadas são utilizadas para fins de profissionalização/custeio de membros, saldo de dívidas e impostos, aquisição de serviços, manutenção da empresa, entre outros.


Assim, percebe-se que contratar uma Empresa Júnior gera um capital a ser investido em sua própria melhoria. Em termos de escala, a cada projeto realizado, uma EJ fica mais eficiente e os seus membros mais capacitados.



Preços abaixo do Mercado


Aliada à capacitação constante de seus membros, tem-se a baixa precificação dos serviços ofertados por uma EJ. Isso é possível devido a ausência de gastos com folha de pagamento, dentre outros encargos trabalhistas.


Esse fator também é capaz de definir muitos nichos de atuação de EJ 's, visto que os seus clientes normalmente buscam um preço mais acessível com qualidade considerável.


Assim, percebe-se que uma EJ funciona com base em um capital de giro menor, o que abre espaço para mais investimentos voltados aos futuros profissionais dos seus membros e na performance deles na empresa.



O que esperar da contratação de uma EJ?


Diante de todos os benefícios descritos, tanto na perspectiva do jovem universitário quanto na do cliente, é perceptível a qualidade dos produtos e serviços ofertados por uma EJ.


Tal qualidade só é possível devido à criação de uma estrutura que simula uma verdadeira vivência empresarial, gerida por estudantes e apoiada por diversos parceiros que têm como objetivo um Brasil mais empreendedor.


Portanto, não hesite e venha agregar a este movimento que tanto cresce, enobrece e transforma!


A Advocatta é a empresa júnior de Direito da UnB, prestamos assessoria jurídica focada em empresas e contratos. Para saber mais sobre nós explore nosso site ou entre em contato conosco!


Autores:

Mateus Moraes de Moura

Yara Soares Oliveira


Notas de Rodapé:


[ 1 ] - Constituição Federal (1988), Capítulo III “Da Educação da Cultura e do Desporto”, Seção I “Da Educação”, As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão.


[ 2 ] - “Constituem-se as associações pela união civil de pessoas que se organizem para fins não econômicos (sem finalidade de lucro)”. No decorrer da atuação de uma EJ, a geração de receita pode sim, ocorrer, porém, a sua organização é sempre voltada para fins educacionais.


[ 3 ] - Vide “Censo & Identidade Brasil Júnior 2018”. O Censo e Identidade é uma pesquisa que identifica as tendências, opiniões e expectativas de empresários juniores para com o MEJ brasileiro.



Referências Bibliográficas


ÂMBITO JURÍDICO. Imunidade tributária das empresas juniores. Disponível em: https://ambitojuridico.com.br/cadernos/direito-tributario/im unidade-tribut aria-das-empresas-juniores/ Acesso em: 10 mar. 2021.


BRASIL. Lei n° 9.608/98 - Lei do Trabalho Voluntário.Disponível em: http://ww w.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9608.htm Acesso em: 11 mar. 2021.


_______. Lei n° 9.394/96 - Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm Acesso em: 08 mar. 2021.


________. Lei n° 13.267/16 - Lei das Empresas Juniores. Disponível em:

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2016/lei/l13267.htm Acesso em: 07 mar. 2021 .


BRASIL JÚNIOR. Como funciona uma Empresa Júnior? Descubra agora. Disponível em: https://brasiljunior.org.br/ Acesso em: 07 mar. 2021.


CONSULTOR JURÍDICO. Nova lei de empresa júnior não contraria regulamentação profissional. Disponível em: https://www.conjur.com.br/2 016-mai-05/lei-empresa-junior-nao-contraria- regulamentacao-profissional Acesso em: 09 mar. 2021.


ESTADÃO. Ensino, pesquisa e extensão universitária. Disponível em: https://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,ensino-pesquisa-e-extensao-universitaria-imp-,793617 Acesso em: 10 mar. 2021.


G1 GLOBO. Empresas Júnior preparam estudantes de graduação para o mercado de trabalho. Disponível em: https://g1.globo.com/especial-publicitario/educa-mais-brasil/noticia/empresas-junior-preparam-estudantes-da-graduacao-para-o-mercado-de-trabalho.ghtml Acesso em: 14 mar. 2021.